Eu já contei por aqui sobre as séries que abandonei nos últimos tempos, e sobre as séries literárias que estou acompanhando atualmente. Agora chegou a vez de comentar com você quais séries pretendo começar a ler (futuramente, assim espero). Coincidentemente todas são, na realidade, trilogias. Vamos lá conferir!?


1. Trilogia da Névoa (Carlos Ruiz Zafón): É composta por O Príncipe da Névoa, O Palácio da Meia-Noite e As Luzes de Setembro. Até onde eu sei as narrativas são independentes, mas possuem algumas semelhanças entre elas. Além dos mistérios e das pitadas de fantasia e surrealidade, características marcantes nas histórias do autor, em ambas as tramas existem perdas (mortes), segredos em relação a essas perdas, e a presença de espíritos. Os livros são curtos, mas aparentam ter um ritmo intrigante. Enfim, eu quero muito lê-los por serem do Zafón, e por conta da temática. As obras eu já tenho... só falta planejar a leitura.


2. Trilogia 1Q84 (Haruki Murakami): Trata-se de uma história única, dividida em três livros conhecidos como volumes 1, 2 e 3. A trama nos leva a dois personagens principais: a Aomame, uma mulher que esconde a profissão de assassina; e o professor Tengo, que se propõe a refazer um misterioso romance escrito por uma jovem de 17 anos. Eles não têm nada a ver um com o outro, mas de alguma forma suas vidas vão convergir. Além dessa proposta, o que me atraiu aqui foi o fato de envolver realidades paralelas, conspiração, abandono e mistérios que desafiam os limites do real. Também já tenho os livros em mãos... só falta marcar o início da leitura.


3. Trilogia Bill Hodges (Stephen King): É composta até o momento por Mr. Mercedes e Achados e Perdidos – o terceiro livro ainda não foi lançado no Brasil. Esse é o tipo de trilogia que só tem essa titulação porque as histórias estão ligadas por um personagem, embora elas não possuam uma ligação direta. Neste caso, as tramas são policiais, de investigação, e o personagem elo é o detetive Bill Hodges. Quem acompanha o blog sabe que eu aprecio tramas do gênero. Agora somem isso ao fato de que quem escreveu essas histórias foi o Stephen King. Aposto que haverão muitos mistérios, perigos e assassinatos ardilosos de qualidade. Enfim, fiquei muito instigada.


4. Trilogia Cormoran Strike (Robert Galbraith): Conta com O Chamado do Cuco, O Bicho-da-Seda e Vocação Para o Mal. Tem a mesma 'pegada' da trilogia anterior. O elo dos livros é um detetive que resolve mistérios clássicos, de acordo com o autor (pseudônimo de J K Rowling). Ou seja, são romances policiais com assassinos impiedosos, mistérios mal resolvidos e muita investigação policial. Diante disso (já deu pra notar que eu curto mesmo o gênero, certo!?), do sucesso que os livros vem adquirindo, e da boa fama que a autora tem por sua escrita instigante, resolvi adicionar a trilogia em minha lista de próximas leituras. Espero ter a chance de conferir tudo em breve.

Por enquanto é só. E você, quais séries literárias pretende começar a acompanhar?
Abraços,


Título: Além da Esperança
Autor: Kristin Hannah
Edição: Sabrina 1579
Editora: Nova Cultural
Páginas: 157
ISBN: 0
Nota: 4 de 5

SINOPSE: Abalada após o divórcio, Joy Candellaro embarca, para uma cidadezinha rural, na esperança de que alguns dias num lugar remoto e pacato a ajudem a recuperar o equilíbrio emocional. Mas seus planos são frustrados quando o avião cai numa floresta, no meio da noite. Milagrosamente, Joy sobrevive e consegue se afastar a tempo, antes de o avião explodir. E ali, perdida entre árvores gigantescas e seculares, ela toma a decisão desesperada de alcançar seu destino a pé.
Recentemente viúvo, Daniel O'Shea tem de lidar com a falta que seu filho de oito anos sente da mãe, e Bobby dificulta as coisas fechando-se em seu mundo, cercando-se de amigos imaginários. Quando Joy e Bobby se conhecem, um vínculo imediato se cria entre ambos, mas o atraente pai do garoto parece ignorá-la. Então, uma dramática reviravolta nos acontecimentos coloca Joy frente a frente com uma verdade assustadora, obrigando-a a decidir: em meio a sonhos impossíveis e oportunidades inesperadas, ela conseguirá reunir a fé necessária para conquistar o amor que encontrou, e uma nova vida na qual somente ela acredita?

Comentários:

Além da Esperança – cujo título original é Comfort and Joy (publicado originalmente em 2005) – não é umas das primeiras obras de Kristin Hannah, mas certamente é uma das mais simples. E essa afirmação em nada tem a ver com o fato de que o livro veio ao Brasil em formato de bolso/banca, mas sim pelas sutilezas e clichês.

Joy está 'duplamente' abalada com o fim do casamento, afinal seu marido a traiu com a própria irmã (isso não é um spoiler). Por isso, ela decide fazer uma viajar para um lugar pacato com o intuito de manter a distância de tudo e todos. Mas seus planos mudam de rumo após um trágico acidente, que a deixa perdida numa floresta em um lugar totalmente desconhecido.

É assim que a vida de Joy se cruza com as de Bobby e Daniel O'Shea. Bobby perdeu a mãe e por isso vive recluso em um mundo onde só ele e seus amigos imaginários existem, e Daniel tenta lidar com o luto do filho (ambos vivem em um pequeno chalé, digamos assim). Porém, as coisas parecem mudar com a presença de Joy, que aos poucos vai aproximando pai e filho.

Uma coisa curiosa em boa parte da trama, que se passa durante a vivência dos três, é que Daniel vive ignorando Joy e os possíveis sentimentos que ela vai cultivando por aquela família. Enquanto isso, Bobby continua sendo repreendido por sua imaginação. Por que será? Bem, não é preciso ser um grande adivinho para imaginar o que está acontecendo ali.

Pela primeira vez minha autora favorita não me surpreendeu. Mas há tanta simplicidade e comoção, que é fácil se emocionar. Talvez pela melancolia da época (a história se passa próximo ao natal); talvez por abordar conflitos familiares sob uma perspectiva intensa e reflexiva; talvez por trazer um romance que chega a ser sobrenatural (esse não é o foco do livro, vale destacar).

Apesar de um pouco previsível e clichê, em alguns pontos, os capítulos finais nos deixam a mercê de como as coisas vão se desenrolar. Eu gostei muito disso. Por outro lado, achei as coisas meio corridas; algumas até improváveis. Ainda assim, são emocionantes e nos dão muitas lições legais sobre os relacionamentos que cultivamos para as nossas vidas.

Recomendo o livro para os fãs da autora. Vale super a pena conhecer as diferentes abordagens literárias de Kristin Hannah (e se emocionar com todas elas). Indico também para os que gostam de histórias melancólicas e romances paranormais. De quebra você ainda conhecerá uma escrita sensível e rica em reflexões até nos pequenos detalhes. 


Quem acompanha o blog há algum tempo sabe que eu adoro conhecer as tramas da Rainha do Crime. Ela que de tanto inspirar a literatura policial, acabou torando-se uma referência. Levando em consideração que Agatha Christie escreveu mais de 80 obras, eu ainda tenha um longo caminho a percorrer por suas criações literárias (ao menos as que pretendo conferir). 

Foi pensando nisso que eu decidi encaixar mais livros dela em minhas leituras desse ano (especialmente porque ano passado eu não lembro de ter lido nada da Agatha). E como eu não costumo resenhá-los, resolvi comentar por aqui os lidos até agora (em 2016, claro) como forma de recomendá-los para quem curte o gênero.


Título: O Assassinato de Roger Ackroyd
Ano da primeira publicação: 1926
Em uma noite de setembro, o milionário Roger Ackroyd é encontrado morto, esfaqueado com uma adaga tunisiana – objeto raro de sua coleção particular – no quarto da mansão Fernly Park na pacata vila de King’s Abbott. A morte do fidalgo industrial é a terceira de uma misteriosa sequência de crimes iniciada a de Ashley Ferrars, que pode ter sido causada ou por uma ingestão acidental de soníferos ou envenenamento articulado por sua esposa – esta, aliás, completa a sequência de mortes, num provável suicídio. Os três crimes em série chamam a atenção da velha Caroline Sheppard, irmã do Dr. Sheppard, médico da cidade e narrador da história. Suspeitando de que haja uma relação entre as mortes, dada a proximidade de Miss Ferrars com o também viúvo Roger Ackroyd, Caroline pede a ajuda do então aposentado detetive belga Hercule Poirot, que passava suas merecidas férias na vila.Ameaças, chantagens, vícios, heranças, obsessões amorosas e uma carta reveladora deixada por Miss Ferrars compõe o cenário desta surpreendente trama, cujo transcorrer elenca novos suspeitos a todo instante, exigindo a habitual perspicácia do detetive Poirot em seu retorno ao mundo das investigações.


Título: O Misterioso Caso de Styles
Ano da primeira publicação: 1920
No meio da madrugada, a rica proprietária da mansão Styles é encontrada morta em sua cama, aparentemente vítima de um ataque cardíaco. As portas do quarto estavam trancadas por dentro e tudo indicava morte natural. Mas o médico da família levanta uma suspeita: assassinato por envenenamento. Todos os hóspedes da velha mansão tinham motivos para matar a Sra. Inglethorp e nenhum deles possuía um álibi convincente. Para solucionar o crime entra em ação o detetive Hercule Poirot, irresistível personagem criado por Agatha Christie, que faz a sua estréia neste caso intrigante. Um marco da literatura policial e um dos maiores romances do gênero.



Título: O Adversário Secreto (ou O Inimigo Secreto)
Ano da primeira publicação: 1922
Pouco tempo depois do fim da Primeira Guerra Mundial, Prudence Cowley (Tuppence) e Thomas Beresford (Tommy), jovens amigos de infância, encontram-se por acaso na saída de uma estação de metrô. Desempregados, conversam sobre as dificuldades do pós-guerra, principalmente com relação àqueles que, como eles, retornavam à vida civil. Na casa de chá Lyons’ Corner House, cada um relata a vida que levara até então: Tommy chegara ao posto de tenente, tendo sido ferido mais de uma vez em combate; e Tuppence exercera diversas funções em hospitais, contribuindo para o esforço de guerra. Buscando a reinserção na sociedade, ambos enfrentam a completa falta de perspectiva futura e, assim, juntam-se numa empreitada pouco comum, imersos na urgência de ganhar dinheiro para, ao menos, sobreviver. Para isso, decidem publicar um anúncio um tanto quanto desesperado em um jornal, mas que já revela a audaz personalidade da dupla: “Dois jovens aventureiros oferecem seus serviços. Dispostos a fazer qualquer coisa, prontos para ir de bom grado a qualquer lugar. A remuneração deve ser boa. Nenhuma proposta sensata será recusada”. Acabam remendando o final: “Nenhuma proposta insensata será recusada”. Ocorre que, antes mesmo de conseguirem veicular a mensagem, recebem um convite de um senhor – que ouvira a conversa em Lyons’ Corner House – e acabam se envolvendo na busca de documentos secretos, comprometedores e capazes de levar a Inglaterra a uma crise sem precedentes. Estes documentos teriam resistido ao famoso naufrágio do RMS Lusitania, navio de passageiros bombardeado pelas forças alemãs em 1915, e estariam nas mãos de uma moça chamada Jane Finn. Os jovens e inexperientes detetives, contatados pelo serviço secreto britânico, partem no encalço da misteriosa Jane Finn com o dever de encontrá-la antes de Mr. Brown, gênio criminoso que deseja utilizar os documentos para ampliar seu poder pelo mundo.

Dos três, a minha melhor experiência foi com O Assassinato de Roger Ackroyd, pois este se mostrou o mais chocante - especialmente na resolução dos crimes - e o que mais me prendeu. Já mais fraco foi O Misterioso Caso de Styles, uma vez que me pareceu meio óbvio. Ainda assim tem suas qualidades, além de conter características que mais tarde se tornaram a marca registrada da autora... foi muito interessante identificar isso, principalmente porque devemos levar em consideração que este foi o primeiro livro da Agatha. O Adversário Secreto, por sua vez, é especial porque foge um pouco do ritmo policial para ir mais para o lado da conspiração, da espionagem, da vida secreta. É uma trama muito rica e agradável de ser lida.

Ambos os livros são bons, cada um com seu final surpreende e suas reviravoltas que nos deixam de boca aberta. Eles se assemelham e, ao mesmo tempo, são bem diferentes. Fica a seu critério escolher por onde começar, caso tenha interesse. Vale comentar ainda que as obras da Agatha possuem várias edições... as apresentadas aqui são da Editora Globo Livros. Aliás, são as mesmas que eu li. Eles super capricharam na revisão e diagramação, sem contar as capas, que são lindas!

Recomendo demais!
Abraços!

O penúltimo post da série Literatura no Brasil traz como foco as abordagens literárias das décadas de 1940 e 1950. Nessa época, os novos escritores não propuseram uma ruptura com o Modernismo, mas também não defendiam as propostas desse grupo. O que eles representaram, na verdade, foi uma fase de maturidade literária caracterizada por suas pesquisas em torno da linguagem.

Na foto, Lygia Fagundes Telles. Fonte: Google.

A renovação das formas de expressão literária, tanto na poesia quanto na prosa, são os traços mais marcantes da geração de 1940-50. Alguns poetas desse grupo tendiam para o estilo culto e elevado, de feição neoparnasiana, enquanto outros caminhavam na busca por uma linguagem mais sintética e precisa, dando continuidade às experiência de Drummond e Murilo Mendes.

Ainda assim, as obras mantinham certa preocupação social, e, por isso, davam continuidade até ao regionalismo. Vale destacar que durante esses anos o Brasil viveu o fim da ditadura Vargas, além de um período democrático e desenvolvimentalista, que chegaria à euforia no governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961).

Várias obras significativas em prosa foram publicadas nesse período, especialmente no gênero conto e romance. Parte dessas obras são de sondagens psicológicas que já vinham sendo desenvolvidas, principalmente por Mário de Andrade e Graciliano Ramos. Pelo menos é o que se verifica nos contos e romances de Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles.

O regionalismo, bastante explorado na geração de 30, também foi retomado, mas com um tratamento renovado. Além do espaço urbano, outro objeto serviram de enfoque para autores como Rubens Braga, Carlos Heitor Cony, Dalton Trevison, dentre outros.


Confira abaixo uma lista dos principais autores da época:
Clarice Lispector, Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto, Haroldo de Campos, Augusto de Campos, Décio Pignatari, Ferrreira Gullar, Mário Chamie, Mário Palmério, Osman Lins, Mário Quintana, Fernando Sabino, Rubem Braga, José J. Veiga, Otto Lara Resende, Antônio Callado e Adonias Filho.

No post que encerra o nosso ciclo de textos sobre a literatura no Brasil, iremos falar sobre a Contemporaneidade. Até lá!


__________________________________________________________________
Referência: CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza. Conecte: literatura brasileira. São Paulo: Saraiva, 2011.