Há várias semanas venho pensando se devo ou não comentar acerca da tão aguardada adaptação de Como Eu Era Antes de Você (Jojo Moyes), que foi aos cinemas brasileiros em junho deste ano. Pensei tanto que acho que não tem nem mais graça falar a respeito.

Mas talvez nunca seja tarde para escrever sobre as coisas que gostamos; talvez nunca seja tarde para compartilhar nossas opiniões, agrados e desagrados. Por isso, chêga de protelar.

Pensando nisso, resolvi fazer um pouquinho diferente. Ao invés de comparar livro e filme como um todo, irei comentar 5 coisas que não me agradaram no filme. 

ALERTA SPOILER para quem não leu o livro e/ou não assistiu o filme.

Ilustração. Fonte: Google.

1 - Reações de Louisa Clark: Me corrija se eu estiver errada, mas a Louisa do livro não é tão intensa quanto a do filme. E quando eu falo em intensa, eu quero dizer exagerada. É assim que eu defino as expressões faciais de Emilia Clarke. Confesso que isso me incomodou um pouco, porque deu a personagem um tom abobado, sendo que, na realidade, a Louisa é uma pessoa derrotada pela falta de perspectivas. Enfim, em termos de atuação, acho que o Sam Claflin incorporou melhor.

2 - Louisa e Katrina amigas?: As irmãs que por diversas vezes entram em conflito na trama original, agora parecem se dar bem; parecem prestar atenção no que a outra diz. A ideia de Katrina ser mais aventureira e buscar o que ela realmente quer - mesmo que para isso ela precise passar por cima dos outros - continua. Mas, no filme, as duas se são relativamente bem... e Louisa parece aceitar suas ações numa boa, e escuta seus conselhos como se ela fosse a voz da razão. Devo dizer que senti falta do atrito entre elas, para apimentar a trama.

3 - O namoro de Lousa: Esse é um ponto que considero importante no livro. Afinal, Louisa ainda está namorando quando, sem perceber, passa a se interessar por Will. Além disso, o relacionamento dela tem diversos problemas, mas tanto ela quanto Patrick não enxergam isso. Ou não reconhecem. Senti falta de uma pincelada, mesmo que mínima, sobre isso. A personalidade forte dele também não é colocada em prática em suas participações na adaptação. É uma pena...

4 - Cadê o mal humor constante do Will?: Como eu já mencionei aqui, Sam Claflin soube incorporar muito bem o personagem Will. Talvez tenha sido os roteiristas que suavizara um pouco as coisas. E uma dessas coisas foi o mal humor do Will, que simplesmente some após Louisa dar um baita fora nele logo quando ela começa a trabalhar para os Traynors. E isso implicou numa mudança em uma cena que me deixou com a sensação de 'quero mais'. Estou me referindo ao momento em que Louisa leva Will a uma corrida de cavalos... mas o programa dá totalmente errado, em partes pelas limitações dele. No livro as reações do Will são bem intensas e condiz com a condição dele. No filme, ele simplesmente deixa para lá, para não magoar Louisa.

5 - Suavizaram demais a trama: Como um todo, o livro é mais intenso, e, por isso, é mais verdadeiro e cruel (com o leitor). O filme é mais fofo, não choca tanto, e caracteriza-se mais como um romance emocionante de sessão da tarde. Todavia, ambos são igualmente bons. Cada um com sua forma, mas com a mesma essência. Por isso, apesar dos desagrados, eu adorei ter apreciado o filme... e fiquei bastante feliz com a produção. Aliás, que fotografia maravilhosa!! As cenas são realmente lindas.


Eu não li nenhuma crítica do filme, acredite! Talvez chegou a hora...
Essas são as minhas opiniões. E, óbvio, você pode ter tido uma percepção diferente da minha. Então compartilhe comigo o que você achou, e vamos conversar a respeito. Que tal? 
Abraços,

Tenho cultivado o hábito de ficar navegando pelo o youtube à procura de novos canais literários para acompanhar. E não há grandes dificuldades nisso, já que a plataforma está repleta de booktubers de todos os cantos do Brasil. E esse número parece que só continuará crescendo. Enfim...

Por outro lado, no meio disso tudo é bem fácil encontrar canais que trazem o mesmo do mesmo. Ou que, por algum motivo, não soa atrativo ou instigante a ponto de conquistar certos leitores. Talvez, isso se aplique mais a quem assiste vídeos sobre livros com bastante frequência, já que, por conta disso, a pessoa acaba se tornando mais exigente, sempre esperando algo mais.

Felizmente existem canais diferentões, que nos agregam conhecimento e que nos deixam sempre ansiosos por mais e mais conteúdo. E a sensação é ainda melhor quando os descobrimos por acaso. Portanto, é isso que eu vim mostrar a você: os canais literários que descobri por acaso, e que, consequentemente, estou adorando acompanhar. Vale a pena conhecer!


Ler antes de morrer, por Isabella Lubrano
Conheci o canal da Isa através do programa "Como Será", da Rede Globo. Eu não costumo assisti-lo, até que um belo dia acabei vendo um comercial onde a chamada do próximo programa prometia exibir uma reportagem acerca de pessoas que comandam canais sobre literatura no youtube. O Ler antes de morrer apareceu em grande destaque, especialmente porque ele é levado de forma profissional. Depois disso tratei de conhecê-lo melhor, e, desde então, sempre estou acompanhando as novidades. O diferencial da Isa é trazer os clássicos com frequência, de modo leve, descontraído e interativo, e instigante.


Livros & post it, por Adriana Zampolli
O canal da Adriana eu descobri através de uma pesquisa, onde eu buscava por desafios de leitura. Como ela faz muitos projetos (bem legais, diga-se de passagem), eu acabei chegando até os vídeos do Livros & post it. O que mais me agrada nesse canal, além dos projetos, é a forma como a Adriana conduz suas resenhas. Acho ela tão verdadeira, tão leve, tão ela, que a impressão é que estamos conversando de verdade. Sem contar na sensação que ela passa, de ter prestado atenção em cada detalhe das obras lidas, fazendo considerações sempre muito pertinentes. Gosto muito! É uma pena que ela esteja gravando menos agora.


Livro & café, por Francine Ramos
Muita gente conhece o Livro & café por conta do blog. Eu não o conhecia... aliás, atualmente eu só acompanho o canal mesmo. E gosto bastante! A maturidade da Fran resulta em conteúdo com livros diferenciados e interessantes, saindo do mesmo de sempre. E ela é ótima conduzindo uma resenha, sempre com comentários interessantes e mostrando um ponto de vista bem preciso. Se você gosta de clássicos e/ou de Virgínia Wolf, essa é uma ótima pedida.


Tem que ler, por Karoline Rodrigues
Conheci o canal bem por acaso, ainda quando ele dava seus primeiros passos. Só que, originalmente, o Tem que ler já existia bem antes disso. Ele era uma coluna do extinto blog Harlan Coben Brasil, cuja ideia era ler e resenhar um clássico por semana. Agora, o canal se tornou o projeto literário de três meninas que, juntas, comandam um blog e algumas redes sociais com a mesma marca/nome. Só que quem está a frente do canal é apenas a Karol, que traz em suas resenhas questões a parte através de uma narrativa bem produzida. Ela mostra que por trás de seus vídeos existe uma produção de verdade. Muito bom!

~*~

Então, é isso. Eu acompanho outros canais, claro. Canais ótimos que não entraram nessa lista porque não estão enquadrados no quesito 'conheci por acaso'. Mas caso você queria saber mais, é só pedir que eu preparo outro post com temática semelhante, ok? Agora quero saber quem você conheceu por acaso e não consegue mais viver sem. Haha!

Abraços!

Título: O Árabe do Futuro 2*
Autor: Riad Sattouf
Edição: 1
Editora: Intrínseca
Páginas: 160
ISBN: 9788580578805
Nota: 4 de 5

SINOPSE: No primeiro volume da trilogia O Árabe do Futuro, o pequeno Riad, filho de pai sírio e mãe bretã, passou os primeiros anos de sua vida dividido entre a Líbia, a Bretanha e a Síria. Nesta sequência, ele narra os choques de seu primeiro ano como aluno de uma escola síria, onde enfim aprende a ler e escrever em árabe enquanto enfrenta um ambiente rígido e violento. Ele também conhece mais a fundo a família paterna e, apesar dos cabelos louros e das semanas de férias na França com a mãe, faz todo o possível para se tornar um verdadeiro sírio e encher o pai de orgulho.
A vida no campo, a escola no pequeno vilarejo de Ter Maaleh, as incursões ao mercado negro na cidade grande, os jantares luxuosos com o parente que era general e as caminhadas nas ruínas áridas da antiga cidade de Palmira, conforme retratados no livro, são um impactante mergulho na realidade da então ditadura de Hafez Al-Assad na Síria.

Comentários:

O Árabe do Futuro, de Riad Sattouf, nada mais é do que o autorretrato de uma criança cuja infância se torna plural devido ao contato com diferentes culturas e costumes. Era para ser uma HQ divertida de ser apreciada. E até seria, se ele não mexesse tanto com o emocional do leitor.

No primeiro volume da trilogia – já resenhado por aqui – Riad ainda é muito pequeno e por isso não consegue compreender muito bem o porquê de vivenciar tradições tão desiguais, tampouco o contexto político que sei pai tanto faz questão de mencionar.

Já no segundo livro a jornada continua exatamente de onde parou, mas, no meu ponto de vista, ganha mais solidez e aborda questões mais sérias. Nele, toda a família se instala de uma vez na Síria (a trama se passa nos anos de 1984 e 1985), e assim nós iremos presenciando, junto a eles, as péssimas condições do país naquela época (aliás, hoje continua mais ou menos a mesma coisa).

Até quem tem uma noção mínima sobre a realidade do lugar não escapa de impressionar-se com os costumes, com a desigualdade, com a pobreza, com educação, com a (in)segurança, e com várias outras questões abordadas. E é com tudo isso que Riad precisa lidar, especialmente agora que ele passa a frequentar a escola para enfim começar sua alfabetização.

Vale destacar que a escola que Riad está matriculado preocupa-se mais em ensinar o Corão e o hino da Síria através de castigos muitas vezes sem motivos, do que de fato a educar os alunos orientando-os a ler e escrever. Somado a isso, o pai de Riad enfim passa a ver que seu status de doutor não tem valor algum para aquele lugar.

Não vou me alongar no contexto da trama, porque a sinopse já se encarrega de ser bem precisa nesse sentido. Mas gostaria de citar algo que se destaca fortemente aqui: o papel da mulher dentro dessa sociedade. Muita coisa interessante e problemática é explanada. A mãe de Riad, por exemplo, embora não seja oprimida pelo marido, precisa aturar certas condições que, aos poucos, vão desagradando-a. Até ela chegar ao ponto de fazer certas exigências ao marido.

Ademais, as contradições do pai frente a política e aos costumes da Síria continua sendo abordado. Ele percebe as dificuldades, mas permanece se negando a reconhecer os problemas de seu país. Tudo isso, claro, é mostrado sob o olhar de um menino, deixando tudo ainda mais interessante.

Gostei bastante da HQ como um todo, principalmente porque as questões sérias são contatas com certo humor, por um ponto de vista tecnicamente indiferente. A história vai tomando um percurso mais realista, bastante verossímil, o que é muito atrativo. As ilustrações permanecem com a mesma qualidade: traços simples, mas que nos dão uma noção bem verdadeira dos lugares.

É sempre difícil e cruel ler questões voltadas para a desigualdade, injustiça e miséria. Mas recomendo demais esse quadrinho para todos que curtem saber mais sobre outras nações, tradições e costumes de modo generalizado. Apesar de difícil, ele nos gratifica com reflexões bem interessantes.

*Cortesia cedida pela Editora Intrínseca.


Maio foi o mês das mamães literárias por aqui. Agora é a vez de homenagear os papais, afinal hoje é o dia deles. Para tanto, escolhi três pai da literatura que me marcaram fortemente, e que eu espero que sirva de inspiração para muito leitor afora. Vejamos quem são eles, então.

Gif da série de TV Fringe.  :)

- Hans Hubermann, de A Menina Que Roubava Livros (Markus Zasak), tornou-se pai de Liesel pelo acaso. E talvez até isso acontecer ele não tinha noção do quanto esse era o seu melhor papel (sim, Liesel é adoada). Hans é muito amável e protetor, e está sempre disposto a qualquer pela menina. A prova disso se concretiza quando ele descobre 'O Manual do Coveiro' que Liesel escondia. Mesmo não sabendo muito bem ler, Hans decide alfabetizar a menina, sempre com aulas de madrugada. Para quem ainda não leu o livro essas informações podem soar desconexas, mas para quem leu aposto que uma nostalgia boa acaba de se aflorar. De qualquer forma, vale dizer que Hans é um homem admirável, e que ele não poderia faltar nessa lista.

- Mickey Chandler, de Dançando Sobre Cacos de Vidro (Ka Hancock), sempre pensou que ser pai não seria uma escolha para a sua vida. Ele sofre de transtorno bipolar, e sua esposa, Lucy, sofre de problemas cancerígenos. Por isso eles criaram uma regra: nunca terão filhos, para não passar adiante suas respectivas heranças genéticas. Mas tudo muda de direção no 11° aniversário do casal – você já deve imaginar do que se trata. Por isso, muita coisa dramática acontece nesse percurso. É como se de uma hora para outra o verdadeiro significado do amor precisasse ser redescoberto, especialmente por Mickey. Não posso falar demais para não dar importantes spoilers, mas garanto que o nosso personagem em questão tem uma história surpreendente. Ele simboliza a superação e a força, e nos ensina que a paternidade nem sempre pode pode se tratar de uma escolha. Livro maravilhoso, emocionante e que vale a pena ser conferido.

- Steve Miller, de A Última Música (Nicholas Sparks), é o exemplo de pai que não desiste; e que ama acima de qualquer coisa. É uma pena que, infelizmente, ele só conseguiu alcançar o coração da filha (revoltada) quando ficou muito doente. O fim dessa história é de partir o coração, bem emocionante, mas, mesmo assim, reconfortante. Ainda que numa situação triste, Ronnie descobriu o quão maravilhoso o pai é, conseguindo assim ajudá-lo a aproveitar seus últimos dias com conforto e alegria. É como diz o ditado: quando não vai no amor, vai na dor. Porém, não precisa ser necessariamente assim em todas as ocasiões da nossa vida... e foi isso que eu aprendi com esse livro. Vamos amar mais, e dar valor a quem está sempre por perto fazendo algo por nós.


E você, tem algum papai literário que te inspira? Se sim, me conta qual é.

Feliz dia dos pais!
Abraços.