O feriado prolongado de carnaval é sinônimo de várias coisas: descanso, folia, praia, viagem, maratona de séries, oscar, leitura, dentre outros. Cada um dá aos seus cinco dias livres as atividades que melhor cabe. Foi pensando nisso que eu e a Érika, do blog Relicário, decidimos nos aventurar numa maratona de leitura. O intensivão vai da sexta-feira (24) a quarta-feira de cinzas (1º de março).


Nosso propósito não é iniciar e terminar vários livros nesse período, tampouco passar todo o feriado trancafiada lendo. Queremos, apenas, adiantar algumas leituras e iniciar outras que estão encalhadas faz tempo. Portanto, a meta é individual para cada uma e o único critério é que a gente consiga ler diariamente mais que o habitual.

Para dar uma agitada, resolvemos estabelecer algumas categorias que nortearam as nossas escolhas individuais. Para nós, a ideia de separar alguns livros previamente não só nos dará um foco como também vai dinamizar a maratona como um todo. Vejamos, então, quais são essas categorias, e quais obras eu escolhi para cada uma dela.

- Um romance de época... porque a gente ama! Sem contar que é uma leitura leve.
A Caminho do Altar (Julia Quinn)

- Uma HQ... para quebrar o ritmo da leitura discursiva.
Maus (Art Spiegelman)

- Uma leitura já em andamento... para dar uma adiantada.
Os Miseráveis (Victor Hugo)

- Um livro encalhado na estante há mais de um ano... para não adiar por mais tempo.
Livre (Cheryl Strayed)

Tô super ansiosa e animada! Espero conseguir fazer tudo que eu estou planejando para esse feriadão; que seja proveitoso. E para você, desejo o mesmo! Abraços.


"A Menina Que Roubava Livros", escrito por Markus Zusak, comemora hoje sua primeira década de lançamento aqui no Brasil. Por isso, eu não poderia deixar de homenagear essa belíssima história, que roubou meu coração – e que me fez pensar, pela primeira vez, sobre a fragilidade da vida.

Imagem: Google.

Diferentes coisas me agradaram nesse livro a ponto de torná-lo o meu favorito (e a minha desculpa, naquela época, para ler mais e mais). Dentre eles estão: a originalidade da trama, narrada pela Morte e vista sob a ótica de uma criança; as teorias da Morte sobre a conduta humana, além do modo como ela se distrai acompanhando a curta existência das pessoas (vale ressaltar que, por outro lado, com tantas mortes nesse período de guerra, a ceifadora de almas teve muito trabalho a fazer); a paixão de Liesel pelas palavras, o que a fazia roubar livros, mesmo sem o domínio da leitura; o fato de não haver pressa na trama, já que tudo é desenrolado calmamente, mas sem cansar o leitor; a leveza da história ainda que em um cenário de horror; a própria temática de guerra, cujo fator sobrevivência fora destaque; a mistura singular dos elementos amizade, família e confiança; a reflexão, de forma pura, sobre a liberdade e responsabilidade que as pessoas tem em mãos, além de suas consciências; e a gama de personagens cativantes e tão bem construídos.

É por isso que A Menina Que Roubava Livros me trouxe uma experiência tão gratificante, porque, além de tudo que já foi citado, ela oferece uma história linda, mas ambientada numa época triste. Por trás de toda a pureza e simplicidade existe uma sociedade devastada por um conflito global de nações opostas que custou a vida de muitos inocentes. Esse hibridismo mexeu muito comigo... e me ganhou.
 
A mim também. Imagem: Google.

Portanto, posso afirmar que há dez anos minha vida ganhou cor, pois, através da pequena Liesel, eu pude vislumbrar a grandiosidade desse universo literário, que até então tinha sido pouco explorado por mim. Foi assim que eu entendi o que as palavras trariam para a mim, o que a leitura constante poderia me proporcionar. Sem dúvidas esse é o livro precursor da minha vida de leitora. Foi daí que tudo começou, e eu devo muito ao Zusak por isso.

Abraços!


A Filha Perdida, de Elena Ferrante, foi uma das leituras que fiz em janeiro. Como prometido no último diário de leitura, vou falar de forma bem geral o que achei da história., já que o livro tem sido bastante comentado na blogosfera e youtube afora.

Apesar de estar sendo super bem comentada, confesso que, num panorama geral, a história não me comoveu. Em partes, confesso, porque eu encontrei algo um pouco diferente do que eu esperava (as nossas expectativas realmente influenciam muito). Mas não foi só por isso.

Ao longo da leitura fui tendo a impressão que a ideia de desmistificar a maternidade através dos conflitos pessoais (e familiares) da personagem Leda, transformou-se num transtorno pessoal que deixou a narrativa cíclica e sem rumo. As coisas simplesmente não caminham e o desfecho é repentino (se essa era a intenção, ok, mas esse rumo não me ganhou).

Por outro lado, as descrições da personagem sobre seus sentimentos traz importantes reflexões acerca dos papéis que queremos desempenhar em nossas vidas. No caso da Leda, ser mãe e esposa a impedia de viver seus reais desejos. 

Isso me incomodou um pouco, pois, mesmo não sendo mãe, eu vejo esse ato como uma dádiva, um milagre da vida (o que é totalmente contrário para ela). É também uma grande responsabilidade do qual você opta por ter ou não. Temos livre arbítrio para escolher o que queremos, portanto, se você não se encaixa em determinado perfil, então porquê seguir com aquilo? Parece que a vida gosta mesmo de nos pregar peças.

Sendo assim, e apesar das ressalvas, gostei do desconforto que senti. Estar no lugar de outra pessoa que pensa diferente de você te faz olhar sob uma nova ótica e te dá novas perspectivas. Isso é criar empatia.

Além disso, Elena Ferrante tem uma escrita verdadeira, impactante e sem floreios, capaz de provocar um inquietamento em meio a pensamentos (e julgamentos) que emergem a todo instante. Considero isso como algo super positivo.

Ademais, fica a recomendação para quem curte histórias sobre o retrato da maternidade. Leia sabendo que a abordagem aqui é acerca das incertezas e as dificuldades de uma mulher em viver esse papel, o que está bem longe de ser algo mágico.

Abraços!

O ano começou relativamente bem por aqui, com muitas leituras interessantes (porém, tristes, mas isso a gente releva) e um rendimento bastante satisfatório. Então vamos lá, porque esse é o primeiro diário de leitura de 2017!!!

Tem que ter e-book no meio. Haha!
  1. Comecei o ano lendo As Cores da Vida, de Kristin Hannah. Inclusive, há três anos consecutivos eu inicio meu ciclo de leituras com essa autora que eu tanto estimo... já virou tradição! Eu gosto da forma como ela conduz suas histórias, sempre pautando o desenvolvimento pessoal e mostrando o que o tempo e as nossas escolhas fazem conosco. Neste livro eu só senti falta da emoção e da intensidade de sempre, talvez por conta do excesso de acontecimentos clichês. Você pode conferir minha opinião completa acessando a resenha que já fora publicada por aqui.
  2. Depois eu tive o prazer de conhecer a escrita da famosíssima Elena Ferrante, do qual todo mundo tem falado super bem. E não é para menos. Sua escrita verdadeira, impactante e sem floreios provoca um desconforto com reflexões profundas, e eu considero isso como algo super positivo. Porém, A Filha Perdida, num panorama geral, não me comoveu. Ao longo da leitura fui tendo a impressão que a ideia de desmistificar a maternidade através dos conflitos pessoais/familiares da personagem Leda, transformou-se num transtorno pessoal que deixou a narrativa cíclica e sem rumo. As coisas simplesmente não caminham e o desfecho é repentino. Pretendo falar mais sobre esse livro por aqui, em breve.
  3. Na sequência eu li O Primeiro Dia do Resto de Nossas Vidas, da Kate Eberlen. Eu estava louca para conferir essa história, nem tanto pelo romance, mas para vivenciar as experiências de vida dos personagens principais, que parecem difusas tanto quanto as nossas (essa é a impressão que a sinopse do livro dá). Ao final, o romance acaba nem sendo o foco da narrativa, de fato. São os acontecimentos individuais da vida de cada um deles que guia toda a trama, e que nos presenteia com reflexões sobre o ato de que nem tudo que acontece conosco está relacionado às nossas escolha. A vida simplesmente parece nos levar à certos caminhos, às vezes. Enfim, gostei da escrita realista da autora... é detalhista e ao mesmo tempo sem floreios. Vale a pena!
  4. Também teve leitura de Questões do Coração, da Emily Giffin, do qual eu gostei bastante. O início é um pouco lento, mas com o desenrolar dos fatos tudo fica tão interessante, que é até difícil largar o livro. Apesar de clichê, a história é muito verdadeira, assim como os personagens, e só por isso já merece ser lida. Além disso, a autora nos coloca nas posições das pessoas ali envolvidas, provocando questionamentos sobre atitudes que muitas vezes não concordamos, mas que acabamos tomando como verdade para as nossas vidas. É um livro triste, sobre traições, perdões e recomeços.
  5. Por fim eu li a primeira parte de Os Miseráveis, de Victor Hugo, exatamente como eu me propus para o projeto de leitura que estou executando. Foram 430 página lidas na edição da cosac naify. E, gente, estou numa satisfação sem igual! Mas a empolgação nem é por ter cumprido a meta quantitativa de leitura. É por estar completamente envolvida com a história. Definitivamente, começamos muito bem aqui.

É isso aí. E você, leu muito em janeiro?
Abraços!